DesPEDINDO

•julho 2, 2013 • Deixe um comentário

Não sei me despedir

Aguardo um sinal, o final

Vais me dizer quando chegar a hora?

Vou entender que o tempo quer te levar embora?

Queria te dizer tudo

Dou-te o nada

Me doo

Te dôo (meu) possível

Mas o queria maior

Perto do teu tamanho

Mais quente que essas luzes, frias

Mais firme que essa pele, fina

Mais pleno que esse peito, triste

Queria um momento à tua altura

Conformo-me com o tamanho do caminho

O fim é apenas ele mesmo, não diz a sua trajetória.

Sigo tentando dizê-la

Por mais que me faltem as palavras

Certas

Como este fim

 

Aprenderei a me despedir…

 

O Hoje

•junho 2, 2013 • Deixe um comentário

O hoje me disse que eu devia ir mais à varanda, aproveitar espaços.

O hoje me disse que eu devia renascer do sol de domingo, viver a natura.

O hoje me disse que eu devia canonizar o abraço, o riso, o laço, deitar com os afetos.

O hoje me disse para eu usar a cabeça a meu favor, largar verdades.

O hoje me disse para eu me doar um corpo a bel prazer, suar liberdade.

O hoje me disse para eu escrever mais poesia. Ser se e ainda ser.

Por cem batalhas

•maio 29, 2013 • Deixe um comentário

Queria falar, mas era pura ausência. Sobrava-lhe vontade, faltava-lhe controle. E quão duro era esse limite. Quão só era o refúgio no silêncio. Trêmula, continha a dor e dizia com os olhos. Me salve ? Me ame? Me mate? Não me deixe sofrer, não me deixe a mercê de tua pena e das mãos egoistamente humanas que me fazem mover.  Focava o nada suplicando compreensão.

Cansada de devastadores rancores, chorava seus mortos, vivos. Lamentava os seus vivos, mortos. Não. Não precisava mais lutar, descobrira que o peso de tantos anos torna o mundo vão. Sem um corpo a lhe afagar, um afeto milagroso a lhe curar, impossível permanecer sã. Rendera-se. A lágrima não quis mais chorar.  Não. Não podia mais viver do escasso sorriso doutra geração. Era pouco, o muito.  Muito pouco.   

Ninguém parecia ouvir sua voz, cada vez mais alta de silêncio, ou entender sua vontade doída e extravagante de compaixão. Por dignidade, amor e merecimento, um coração suplicava: “tende piedade de nós”. Seria esta a sua batalha? Qual o adversário? Como se posicionam seus soldados? Que nome teria a vitória?  Como dói o amar, o não saber e o final, inevitáveis marcas de nós mesmos.

Armadureço

•maio 29, 2013 • Deixe um comentário

Cresço tentando me livrar

Cresço, de tentar em tentar

De quebrar em quebrar

A dureza, a frieza

Estanque da presa.

 

Amoleço tentando encontrar

Amoleço, do encontro em encontro

Dolorosamente cru

Evitado e desejado

Com este Outro, agora nu.

 

Desarmar-se é arma potente

Proteção menos ingênua

Grande em vulnerabilidade

Quente em possibilidade

 

Arma-dureço

Desarmo

Amadureço

Amar -duro -começo.

 

Teu Não, teu Sim

•abril 29, 2013 • Deixe um comentário

Não dói

No outro

O Não dói

Aborto

É tua a dor

Tua

O resto é condolência do segundo.

É riso enganado na (boa) intenção da partilha.

Mas é tua a pele rasgada.

A ti cabe o bisturi.

Pega-o!

Sois Lua

•outubro 22, 2012 • Deixe um comentário

Dia a dia
Acorda e sente
A corda pressente
Liberdade
Nós frouxos
Vidas presas
E o instinto da soltura
Zura
Jura
Que prevalecerá
Que amarrará só
E somente só
Sóis
Que te impedem lua.

Tudo era Nadia

•outubro 21, 2012 • Deixe um comentário

Quanto antes chegasse, melhor. Nadia era puro excesso. Não sabia aonde queria chegar, mas o queria logo. Urgia como um domingo de sol. Pólvora em corpo, sem direito a mocinho para libertá-la, menos ainda a um final feliz. E explodia.
A cada copo, a cada guimba, em cada esquina crua do centro que buscava, da cidade que, de tanto rondar, a tomava. E seguia.
Guiada pelo desejo de “se”, perdia “si” e encontrava “só”. Nada tinha o seu tamanho. Inflava-se como bola de gás em mão de criança: sedenta por surpresa, vigorada por certeza. Sem perigo, rasa alegria. Sem risco, festa acabada. E Nadia ia.
Buscando tudo, acabou Nadia.