Menino
O ano passa correndo e o menino senta, alto. A manga lá em cima do pé não tem mais gosto de aventura, amadureceu. Não menino, não vá parar o tempo. A grama já não cheira à infância. Nem aí de cima voltarás a lambuzar-se de despreocupação, a suar contentamento. Do tempo não se recupera. Não menino, não vá parar o tempo. Brinque com ele que já tens 60. Conte que a brancura de teus pêlos é só mais uma peça para vovô. Diga que a tua espada agora é letra. Mas não, menino. Não o renegues. Se já não podes com ele, deite em sua sombra em inverno ou verão. E Verás. A mangueira, também herdeira de seu turbulento silêncio, só mudará de encantos. Não menino, não vá parar o tempo.
