Olhos de faca
O olhar do menino era como faca. E matou-me. Morri de culpa.
Por trás do vidro acondicionado de meu carro, um mundo que eu não conhecia, ou pior, que eu não via. Os pés descalços, a barriga cheia de vazios e as lágrimas sujas do menino me inundavam. Sentia-me um super-herói às avessas: com tudo para mudar o mundo (ou apenas um mundo) e sem fôlego para fazê-lo. Queria verdadeiramente poder salvar-nos.
Mas o sinal passou ao verde. Vidas seguem em vermelho.
